
A Engesa (Engenheiros Especializados S.A.) começou a trabalhar na indústria petrolífera, mas seus veículos sempre passavam por problemas com terrenos difíceis, principalmente após um período chuvoso. Assim, a empresa passou a criar seus próprios sistemas de tração 4×4 e caixa de transferência.
O sistema de tração criado pela companhia brasileira era tão eficaz que passou a comercializar seus produtos para o público. O sucesso foi tanto que logo a Engesa se dedicou em desenvolver e comercializar seus sistemas de tração total e depois passou a se dedicar aos veículos militares.
As forças armadas do Brasil passou a ser o maior cliente da Engesa, onde criou blindados como EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu, que até foram vendidos para outros países e ainda desenvolveu o EE-17 Sucuri – um caça tanques maior e mais poderoso do que o Cascavel.
Porém o Sucuri não teve a receptividade esperada e só ficou no protótipo. Porém a companhia aproveitou o projeto quando desenvolveram um veículo em conjunto com a Mercedes-Benz e em 1975 lançam o LG1519, sendo baseado na versão civil L1519, também conhecido como ‘Brejeira’ ou ‘Brejeirão’.
Por cima um Mercedes, por baixo um Engesa
O veículo com tração 6×6 tinha a curiosa e engenhosa suspensão Boomerang desenvolvida pela Engesa, onde os eixos tinham atuação independente em cada lado, possibilitando as rodas manterem contato com o solo quase o tempo todo.
Nesse sistema, só há um diferencial que proporciona tração às quatro rodas através de engrenagens, algo parecido com o sistema usado nos tratores do tipo moto niveladora. A desvantagem do sistema é que a capacidade de carga era inferior em relação ao caminhão comum, porém suas aptidões fora do comum no fora de estrada conquistaram as forças armadas.

As siglas do modelo significavam caminhão de terreno (fora de estrada) em alemão (L – lastwagen ou caminhão e G – gelände ou terreno). O LG1519 tinha todo seu chassi feito pela Engesa e tem a mesma cabine semiavançada dos caminhões da Mercedes Benz e seu motor e câmbio era a mesma do modelo L-1519.
A principal diferença visual do modelo civil para o militar era a cabine em capota de lona e quebra mato dianteiro, além do sistema de tração total com rodas raiadas originais dos veículos da Engesa. O motor era o Mercedes Benz OM 355/5 com cinco cilindros, 9.6 litros, potência de 192 cv a 2.200 rpm e torque de 67 kgfm a 1.400 rpm.
O câmbio era um ZF manual de seis marchas sincronizadas (oferecido como opcional no L1519 civil). Por sua robusta e imponente aparência, o caminhão ganhou o apelido de Mamute que ficou notório por sua alta valentia no fora de estrada proporcionado pela suspensão Boomerang e pela tração dianteira, o tornando num 6×6.

Ainda que não tivesse bloqueio de diferencial, o veículo se saía bem mesmo nos terrenos mais difíceis. O LG1519 Mamute foi feito por muitos anos, se tornando popular pelos quartéis do Brasil onde transportavam tropas, suprimentos, artilharias, munições e equipamentos.
A capacidade de carga era de até cinco toneladas em condições fora de estrada, posi como foi dito antes o sistema Boomerang prejudicava a capacidade de carga, sendo que as forças armadas apelavam para caminhões com suspensões convencionais para transportes mais pesados.
Infelizmente a Engesa faliu nos anos 90, mas os caminhões Mamute continuaram no serviço militar por muitos anos. Atualmente boa parte dos Mamutes estão aposentados, mas ainda tem muitos em plena atividade. Os LG1519 são disputados por colecionadores, fãs de veículos militares e veículos fora de estrada, sendo um dos mais aclamados veículos militares já feitos pela indústria brasileira.
