
Nas partes anteriores vimos que Alberto Santos Dumont sempre foi fã de mecânica e, depois de herdar a fortuna deixada por seu pai, passou a correr atrás de melhorar a experiência de voar em balões e começou a criar dirigíveis. Logo Dumont ficou famoso em Paris, capital da França, onde viveu a maior parte de sua vida.
Em 1903, os irmãos Wilbur e Orville Wright fizeram o que foi o primeiro voo num aparelho motorizado sendo considerado por quase todos os países do mundo como os inventores do avião. Digo quase todos, pois no Brasil se creditam o feito a Santos Dumont que no dia 23 de outubro de 1906 voou com sua aeronave 14 Bis em Paris diante de uma grande multidão e até foi filmado!
Com o feito, Dumont ficou novamente famoso no mundo todo! Alberto percebeu que muitas coisas precisavam ser melhoradas em seu invento. O formato do 14 Bis lembrava um pato ou ganso voando, sendo que a aeronave era classificada como canard (pato em francês).
Santos Dumont decidiu fazer uma nova aeronave, porém com formato inverso: tendo asas à frente e uma composição grande na traseira que ficaria conhecida como cauda e criou o modelo Nº 15: um avião biplano com estrutura feita em madeira e bambu, porém não obteve sucesso.

Em 11 de julho de 1907, Dumont soube do feito de seu amigo e também aviador Louis Blériot que voou com o modelo VI, também conhecido por Libellule (libélula em francês) devido ao formato da aeronave com quatro asas, mas a sua aparência já lembrava um pouco a aeronave como conhecemos hoje.
Dumont sabia que o formato da aeronave tinha de ser mais ou menos como o criado por Blériot e então criou o Nº 19, também conhecida por Demoiselle (senhorita em francês). O avião era um modelo muito leve com apenas 56 kg e motor Darracq dois cilindros boxer de 3.2 litros e 30 cv. A cabine era abaixo do motor e das asas.
Santos Dumont fez diversos voos com a aeronave que ficaria conhecida como o primeiro ultraleve da história, sendo notória por ser muito veloz chegando até a 96 km/h de velocidade máxima. Além disso era altamente manobrável e seu tempo de voo era longo. O Nº 19 é considerado o melhor avião criado por Dumont!
Clément-Bayard, uma famosa fabricante de automóveis da época, decidiu produzir a aeronave em série, sendo que até disponibilizava opções de motor e valia 7.500 francos, se tornando no primeiro avião comercializado ao público no mundo.
O último voo e a depressão
O último Demoiselle foi o modelo Nº 22, que era um modelo aperfeiçoado e usava motor Clément-Bayard de arrefecimento líquido com 40 cv e quebrou vários recordes, conseguindo até a incrível velocidade (para a época) de 110 km/h de máxima. Porém, Dumont sofreu um acidente com a aeronave em 1910 que, por milagre não faleceu e depois do fato decidiu se aposentar.
Na verdade sua saúde e vitalidade já não eram mais a mesmas e tinha sintomas de esclerose múltipla, mas Santos Dumont continuou trabalhando para popularizar o avião e foi promovido à Comendador da Legião de Honra pelo governo francês. Alberto nunca patenteou suas invenções e permitia que qualquer um pudesse comercializá-las.
Como era muito rico, Santos Dumont não se preocupava em ganhar mais com suas invenções e acreditava que seus feitos eram para ajudar a humanidade. Outro feito do inventor, foi a popularização do relógio de pulso, já que os antigos relógios de bolso eram difíceis para ele ver as horas quando estava guiando seus veículos.

Então Dumont encomendou o relógio ao seu amigo joalheiro Louis Cartier. Na época o relógio de pulso já existia, mas era usado somente pelas mulheres e depois que Santos Dumont usou o produto, ajudou a popularizar o invento dentre os homens na França.
O modelo de lente quadrada com números em algarismos romanos foi desenvolvido em 1904 e foi batizado de Santos que é feito até hoje pela Cartier, sendo um dos produtos mais famosos e tradicionais da companhia. O modelo usado por Dumont tinha pulseira em couro, mas hoje em dia há opções da mesma em outros materiais, inclusive ouro!
Em 1914 se iniciou a Primeira Guerra Mundial e o Império Alemão começou a invadir a França. Santos Dumont ofereceu seus serviços ao Ministério de Guerra da França e até se alistou como motorista. Seus inventos passaram a ser usados para treinar tropas francesas para reconhecimento aéreo.
Logo as aeronaves passaram a usar metralhadoras para batalhas aéreas e algumas foram desenvolvidas para lançar bombas. Notícias de confrontos entre aviões, além dos danos causados em solo por modelos bombardeiros dominavam os noticiários e esses fatos acabaram traumatizando Santos Dumont.

Seu sonho se transformou em uma máquina mortífera e isso passou a atormentá-lo. Por conta disso, após sua dispensa, Dumont voltou a morar no Brasil e continuou advogando em favor das aeronaves e sua popularização viajando para diversos países.
Mas também se tornou num pacifista se mostrando contra o uso de aeronaves em combates aéreos e no dia 14 de maio de 1922, em uma das muitas comemorações sobre o centenário da independência do Brasil, Santos Dumont realizou o que seria o seu último voo de aeronave.
Alberto Santos Dumont havia se tornado numa celebridade e ganhava diversas condecorações aonde ia, mas sua depressão o estava corroendo por dentro e passou a se internar em clínicas na Europa para combater seu problema. No entanto, um acontecimento trágico o faria ficar ainda mais depressivo…
Últimos momentos de Dumont
Em 03 de dezembro de 1928, Dumont estava bordo do Capitão Arcona e pouco antes de chegar ao porto do Rio de Janeiro, quiseram lhe fazer uma festa de recepção, onde um hidroavião Dornier Do J batizado de ‘Santos Dumont’ iria pousar próximo ao navio.
O avião estava levando professores da Escola Politécnica que tinham o intuito de recepcionar Dumont. Porém um erro do piloto fez o avião cair próximo ao navio e todos que estavam à bordo, incluindo Dumont, testemunharam a tragédia! As quinze pessoas que estavam à bordo do hidroavião faleceram no acidente.

Esse fato agravou ainda mais a saúde mental de Alberto que já estava fragilizada. Em 1932, começou a Revolução Constitucionalista e aviões foram novamente utilizados para combate. Anos de depressão, aliado a outros problemas de saúde fez Alberto Santos Dumont tirar sua própria vida em 23 de julho de 1932 aos 59 anos.
Alberto não deixou herdeiros já que nunca se casou ou teve filhos. Atualmente o nome Santos Dumont está em diversas obras como edificações, avenidas, ruas e até uma cratera lunar. A cidade de Palmira, onde Alberto nasceu, foi rebatizada de Santos Dumont em sua homenagem e a Força Aérea Brasileira o reconhece como o Patrono da Aeronáutica Brasileira!