
Como vimos nas partes anteriores, Alberto Santos Dumont era filho de um rico engenheiro e produtor de café. Desde criança, Alberto já apreciava máquinas mecânicas e após o falecimento do pai, herdou uma grande fortuna e passou a se dedicar à sua nova paixão: os veículos aéreos.
Após muitas experiências com balões e dirigíveis, Santos Dumont decidiu tentar cumprir o desafio imposto por Henri Deutsch de la Meurthe, que daria um grande prêmio em dinheiro para quem conseguisse voar do Parque Saint Cloud até a Torre Eiffel e voltar em trinta minutos.
Santos Dumont conseguiu cumprir o trajeto em 29 minutos e 30 segundos com o dirigível Nº 6 que virou notícia no mundo todo, onde recebeu diversas honrarias de diversos países! Enquanto isso nos Estados Unidos, os irmãos Wilbur e Orville Wright, que trabalhavam consertando e montando bicicletas, sonhavam em voar com uma aeronave.
Ambos nasceram e cresceram na cidade de Dayton, no estado de Ohio e ficaram fascinados com os voos do genial e destemido inventor alemão Otto Lilienthal, que fez dezenas de voos num planador de sua autoria e acabou falecendo por conta de sua invenção num voo em 10 de agosto de 1896, aos 48 anos.
Mas essa fatalidade não intimidou os irmãos, que passaram a fazer experimentos com planadores com sucesso, mas isso não era o bastante, eles queriam prolongar o tempo de estadia no ar e sabiam que só era possível se equipassem o veículo com um motor.

Então os irmãos Wright pediram ao mecânico Charlie Taylor para criar um motor ao veículo e o resultado foi um quatro cilindros de 3.9 litros e potência de 42 cv a 1500 rpm. No dia 17 de dezembro de 1903, Orville Wright realizou o que seria o primeiro voo de avião da história!
A aeronave batizada de Flyer realizou seu voo com sucesso na pequena cidade litorânea de Kitty Hawk, no estado da Carolina do Norte, onde percorreu 36,5 metros em 12 segundos. Finalmente alguém conseguiu voar com um aparelho mais pesado do que o ar!
Santos Dumont fez mais dirigíveis bem sucedidos e o Nº 8 foi o primeiro que fez para um cliente, sendo o empresário norte americano Edward Boyce. Pouco antes dos irmãos Wright realizar o famoso voo, Alberto apresentou o dirigível Nº 9 e ensinou a socialite norte americana Aida de Acosta, que tinha apenas 19 anos na época.
Aida aprendeu a operar com facilidade e em 27 de junho de 1903 conseguiu voar por Paris, sendo a primeira mulher da história a voar em um veículo motorizado+, até mesmo antes dos famosos irmãos de Dayton! Se especulava na época se Santos Dumont realmente teve um relacionamento amoroso com Acosta.
Aida foi a única pessoa que ele permitiu voar em uma de suas aeronaves e sempre mantinha um retrato dela em sua cômoda, mas é sabido que ele nunca quis se relacionar afetivamente com mulheres. Após seu falecimento, Aida disse que só conheceu Santos Dumont na época em que realizou o voo e nunca namorou com ele.
O fabuloso 14 Bis
Apesar de diversas experiências com sucesso nos dirigíveis, Santos Dumont decidiu encarar um novo desafio: criar uma aeronave que pudesse voar sem o uso de balões, pois muitos pilotos estavam experimentando e o sucesso havia sido alcançado pelos irmãos Wright.
Mesmo não tendo experiência em voar com planadores como os irmãos norte americanos, Santos Dumont decidiu fazer seu aparelho baseado nos estudos do engenheiro e inventor britânico Baronete Sir George Cayley (1773-1857) que, apesar de nunca ter voado, se tornou numa figura muito importante na engenharia aérea.
Os estudos científicos de Cayley sobre o voo inspirou muitos inventores de sucesso no futuro. Assim como os irmãos Wright, Santos Dumont imaginou que a aeronave precisaria de um impulso acessório para realizar sua experiência (os norte americanos usaram uma espécie de catapulta para dar impulso ao Flyer).
Primeiro Alberto experimentou um balão, mas não deu certo. A aeronave batizada de Nº14 não conseguiu voar porque o balão não dava impulso necessário ao aparelho. Então Alberto decidiu tentar uma nova experiência sem auxílio de artifícios e rebatizou o aparelho de 14 Bis, ou seja, seria uma nova tentativa com o Nº 14.
A aeronave tinha quatro metros de altura, 10 metros de comprimento, 12 metro de envergadura e era equipado com o primeiro motor V8 da história: o Antoinette 8V, criado pelo inventor francês Léon Levavasseur, que tinha 8.0 litros e potência de 50 cv a 1100 rpm.

Para impulsionar a aeronave, Santos Dumont usou rodas de bicicleta, sendo considerado o primeiro trem de pouso da história. A imprensa acabou apelidando a aeronave de Oiseau de Proire ou Ave de Rapina e no dia 23 de outubro de 1906, no Parque de Bagatelle em Paris, Alberto Santos Dumont realizou seu primeiro voo de avião!
Diferente do voo do Flyer em Kitty Hawk, a façanha de Dumont foi testemunhada por centenas de pessoas e novamente ele virou notícia mundial. O voo inclusive foi fotografado e filmado! O seu voo foi curto, percorrendo mais de 25 metros a 3 metros de altura que durou 7 segundos
É por conta desses registros é que a maioria esmagadora dos brasileiros creditam o primeiro voo de avião à Santos Dumont e não aos irmãos Wright, como é ensinado para o resto do mundo, já que o voo dos norte-americanos teve poucas testemunhas e a prova documental documental é uma única foto.
Outros ainda defendem que com uma catapulta até uma pedra pode voar, enquanto que o 14 Bis voou pela própria propulsão mecânica. Muitos brasileiros consideram o voo dos irmãos Wright como uma fraude. Sendo fraude ou não, os irmãos de Dayton fizeram feitos incríveis para a aviação e se contasse essa história sem mencioná-los seria um disparate!
Santos Dumont fez realizou melhorias no 14 Bis e no dia 12 de novembro, ele voou novamente e percorreu uma distância maior de 220 metros por 21,5 segundos e a altura máxima foi de, aproximadamente, 5 metros. Mas isso não deixou o brasileiro satisfeito e decidiu melhorar a experiência de voo, porém essa história ficará para a próxima parte, aguardem!
