
Como vimos na primeira parte, Alberto Santos Dumont era de família rica e herdou uma grande fortuna após o falecimento de seu pai Henrique Dumont, engenheiro de formação, e isso acabou influenciando Alberto que vivia estudando e analisando máquinas.
Depois que foi morar na França, Santos Dumont aprendeu a voar num balão e construiu seu próprio aparelho, mas só isso não o deixou satisfeito, pois queria melhorar sua experiência de voo e assim passou a desenvolver dirigíveis, até que o modelo Nº 3 conseguiu dar uma volta na Torre Eiffel ao final de 1899.
Nessa época, o empresário do ramo petrolífero Henri Deutsch de la Meurthe propôs um prêmio de 100 mil francos para quem cumprisse seu desafio: voar do parque de Saint Cloud ou de qualquer outro ponto que desse a mesma distância até a Torre Eiffel, dar uma volta nela e voltar ao ponto de partida em meia hora.

A distância total do desafio era de 11 quilômetros, assim o piloto deveria voar a uma velocidade média de 22 km/h para cumprir o desafio. O desafio ficaria conhecido por Prêmio Deutsch e causou alvoroço, já que muitos queriam conquistar o valioso prêmio.
Havia tantos aeronautas e aspirantes na França, que em 1898 criaram a associação Aéro-Club de France para fomentar a invenção de aparelhos aéreos. Alberto Santos Dumont era um dos muitos aeronautas que queriam conquistar o prêmio e ele construiu o dirigível Nº 4.
O Nº 4 tinha 29 metros de comprimento e 5,60 de diâmetro. Sua estrutura lembrava uma bicicleta comum e tinha um motor de 7 cv. Santos Dumont realizava voos quase diários para tentar conquistar o prêmio, mas ele não obteve êxito. Mesmo assim seu dirigível impressionou o público e a associação.
Alberto foi para Nice, a famosa metrópole da Riviera Francesa, onde começou a trabalhar no modelo Nº 5 que era parecido com o Nº 4, porém com algumas melhorias que incluíram um motor mais potente de 12 cv. Porém na primeira tentativa ele cumpriu o desafio dez minutos depois do tempo máximo.

Santos Dumont tentou novamente, porém o balão explodiu e caiu sobre o Hotel Trocadero e Alberto ficou pendurado no prédio, mas por muita sorte ele saiu ileso do acidente e o fato chamou ainda mais a atenção da mídia para o inventor brasileiro.
O acidente não desanimou Dumont, sendo que ele construiu o dirigível Nº 6 com motor de 20 cv. No primeiro voo feito no hipódromo de Longchamps, Alberto sofreu um pequeno acidente. De la Meurthe, que presenciou o fato, chegou a duvidar que o brasileiro conseguiria voar com aquele tipo de aparelho.
O Prêmio Deutsch e a fama mundial
Depois de fazer os reparos no Nº6, no dia 19 de outubro de 1901, Alberto Santos Dumont conseguiu realizar o desafio imposto pelo milionário francês em 29 minutos e 30 segundos e acabou se tornando notícia em nível mundial! Num gesto altruísta, Dumont distribuiu o prêmio para a equipe que o ajudou a construir o dirigível.
O voo transformou Santos Dumont em celebridade, sendo que ele recebeu diversas cartas de autoridades e aeroclubes europeus elogiando o seu feito, inclusive até recebeu doações em dinheiro, além de uma honraria do presidente do Brasil Campos Salles.

O príncipe de Mônaco, Alberto I, lhe cedeu um hangar na praia de La Condamine e toda a estrutura necessária para que Santos Dumont continuasse inventado. Nos Estados Unidos, Alberto visitou Thomas Edison e foi convidado pelo presidente Theodore Roosevelt, que fez uma proposta em ajudar a fundar um clube aéreo no país.
Porém algumas tragédias o fizeram voltar para a Europa: sua mãe tirou a própria vida e seu amigo, o balonista brasileiro Augusto Severo e o mecânico francês Georges Saché sofreram um acidente fatal quando o dirigível Pax explodiu no dia 12 de maio de 1902 em Paris.
O acidente até virou filme do diretor francês Georges Mélliès (famoso pelo Viagem À Lua de 1901). Intitulado como A Catástrofe do Balão ‘Le Pax’ hoje em dia é uma obra perdida, pois não há cópias sobreviventes. Após se recompor, Dumont continuou fazendo seus veículos voadores que conheceremos na próxima parte, aguardem!
