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Papa-Filas – A Carreta de Passageiros

Conheçam o Papa-Filas: um reboque de carreta para transporte de passageiros que foi muito popular no Brasil entre os anos 50 e 60.

Nos anos 20, foi criada nos Países Baixos uma carreta para transporte de passageiros puxada por caminhão, mas não passou da fase de protótipo e logo acabou sendo descartado. Entretanto a ideia ficou no ar e muitos quiseram explorar esse tipo de transporte.

O benefício era conseguir transportar tantos passageiros quanto um vagão de trem ou bonde, já que os ônibus da época eram pequenos e não podiam levar tanta gente. Porém o conceito só ganhou após a Segunda Guerra mundial, já que boa parte dos ônibus foram destruídos ou estavam defasados.

Além disso, a indústria do setor estava se recuperando da crise, pois muitas empresas tiveram suas instalações bombardeadas e as que não foram afetadas estavam tendo problemas em arranjar matéria prima. A novidade logo se espalhou por toda a Europa, além da Ásia e na América do Norte.

No Brasil, as primeiras carretas para transporte de passageiros surgiram nos anos 50 e logo ganhou o apelido de papa-filas por conseguirem transportar muitos passageiros a ponto de eliminar filas formadas nos pontos de ônibus. Na época aumentou muito a população nas grandes metrópoles e a estrutura viária não era das melhores.

Foi por causa do trânsito caótico que o imigrante polonês Alfred Jurzykowski trouxe a Mercedes Benz para o Brasil. O cineasta francês Jean Manzon fez dois mini documentários mostrando a situação do trânsito caótico no Rio de Janeiro e em São Paulo: A Luta Pelo Transporte em São Paulo (1952) e O Transporte dos Cariocas (1954).

Os papa-filas eram carretas para transporte de passageiros que se tornaram numa boa solução, pois levavam muito mais passageiros do que um ônibus da época.
Os papa-filas eram carretas para transporte de passageiros que se tornaram numa boa solução, pois levavam muito mais passageiros do que um ônibus da época.

Os bondes não davam conta dos passageiros e os ônibus eram insuficientes, cujo transito era atrapalhado pelo famoso lotação que eram modelos mais antigos mas transportavam bem menos passageiros e também tinham os caminhões pau de arara que levavam passageiros dentro de suas carrocerias em madeira com cobertura de lona.

Outro problema era o trânsito desorganizado, pois não haviam semáforos e quem organizavam eram os guardas que, por muitas vezes não davam conta do tráfego. Os Papa-Filas surgiram para resolver parte desse problema e foram feitos por muitas companhias como a Caio, a Grassi, a Cermava e a Massari.

Como se tratava de uma carreta, qualquer caminhão pesado com quinta roda podia ser usado para rebocar o papa-filas e podia transportar 50 passageiros sentados em média e esse número poderia dobrar se levasse mais gente em pé, o que era muito superior aos ônibus de transporte urbano da época.

Apesar das vantagens, não deu muito certo

Os papa-filas ganharam muita popularidade e algumas capitais do país passaram a adotá-los, sendo integrantes das companhias municipais de transporte coletivo. Mas os papa-filas eram desconfortáveis, já que muitos eram reboques de carga adaptados. Além disso, os caminhões da época não eram muito potentes, assim as viagens eram lentas e barulhentas.

Além disso, não serem muito fáceis de manobrar em certas situações como ruas e vias apertadas, assim os papa-filas eram potenciais causadores de engarrafamentos. Dessa forma, os papa-filas foram sendo gradualmente tirados de circulação nos anos 60. No entanto, esse tipo de transporte ainda teve espaço até os anos 80 como transporte de funcionários para fábricas e obras.

Apesar do papa-filas não ter funcionado como deveria, ele serviu de pontapé inicial para o desenvolvimento de ônibus maiores e mais confortáveis. A partir dos anos 70 foram criados os modelos articulados, onde cidades como Curitiba (PR) conseguiram adotar sistemas que melhoraram o transporte público como as vias exclusivas para circulação de ônibus.

Os caminhões da FNM eram os mais usados para o papa-filas, porém logo pararam de ser usados por serem lentos e desconfortáveis.
Os caminhões da FNM eram os mais usados para o papa-filas, porém logo pararam de ser usados por serem lentos e desconfortáveis.

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