
Nos anos 80, os motores turbinados da Fómula 1 estavam conseguindo potências absurdas, porém a FIA já estava pensando num meio de abolir essas mecânicas em favor dos motores de aspiração natural, cujo volume máximo seria de 3.5 litros e a regra entraria totalmente em vigor em 1989. A Alfa Romeo que queria ser fornecedora de motores, começou a desenvolver seu projeto por volta de 1986.
Após muitos estudos, a engenharia de motores liderada por Giuseppe “Pino” D’Agostino optaram por um layout de dez cilindros em V, pois o V8 não tinha potência o suficiente para o projeto e o V12 era pesado e consumia muito combustível, dessa maneira o V10 teria a potência de um doze cilindros, mas com o consumo próximo ao de um oito cilindros.
O motor foi batizado de Tipo V1035, cuja nomenclatura já descrevia sua configuração: V10 de 3.5 litros que seria o primeiro motor dez cilindros desenvolvido para a Fórmula 1. O motor tinha 72º de inclinação entre as bancadas, sendo todo composto em liga de alumínio e paredes de cilindro revestidas em Nikasil. Com diâmetro e curso de 88 mm x 57,52 mm, seu volume era de exatos 3.498,5 cm³ e tinha parte dos componentes compostos em magnésio e titânio.

Como todo o motor de Fórmula 1 moderno, seu sistema de cárter era a seco (com reservatório de óleo num reservatório separado). O V10 da Alfa Romeo tinha virabrequim de seis mancais, duplo comando no cabeçote acionado por correia dentada e quatro válvulas por cilindro e todo o motor tinha 685 mm de comprimento, 480 mm de altura e peso total de 146 kg.
O motor desenvolvia até 620 cv a altos 13.300 rpm e 38,7 kgfm a 9.500 rpm de torque. A Alfa Romeo chegou a comprar um Fórmula 1 só para realizar testes práticos. Claro que muita coisa tinha de melhorar, mas seus testes foram promissores. Entretanto ao final de 1986 a companhia Alfa Romeo foi totalmente integrada ao grupo Fiat e como a corporação italiana era proprietária da Ferrari na época, os executivos decidiram encerrar o projeto da Alfa Romeo na Fórmula 1.
O motor já estava quase certo de equipar os carros da Ligier e Brabham a partir de 1987, mas com a intervenção da Fiat seus planos foram frustrados. Porém o presidente mundial da Fiat, o engenheiro Vittorio Ghidella decidiu tocar o projeto do V10 para ser empregado em outras categorias para promover a Alfa Romeo.

Em 1988 a FOCA (Associação dos Construtores de Fórmula 1) quis criar um campeonato conhecido como Pro-Car que teria mecânica de Fórmula 1 com bolha de carros de produção e a Alfa Romeo apresentou o 164 Procar, sendo um sedã 164 (que tinha sido lançado recentemente) com chassi de carro Brabham.
Entretanto nenhuma companhia automotiva além da Alfa Romeo se interessou em integrar essa categoria e assim ela foi cancelada antes mesmo de começar. Porém a Alfa Romeo e Ghidelli não desistiram, onde desenvolveram um protótipo Grupo C da FIA conhecido como SE 048SP que foi desenvolvido ao final dos anos 80 e usaria o motor Alfa Romeo V10, porém a diretoria da Fiat interviu novamente e o projeto não foi adiante.
Apesar do motor Alfa Romeo V10 nunca ter disputado uma corrida sequer, foi um projeto visionário já que as equipes e fabricantes de motores optaram pelo layout e acabou dominando a categoria entre os anos 90 a 2000, sendo que a volta por cima da Ferrari, que não ganhava títulos desde o início dos anos 80, voltou ao topo com motores V10 desenvolvidos por Pino D’Agostino, o mesmo responsável pelo projeto da Alfa Romeo.
