
Nos anos 30, o governo alemão pediu às fabricantes do país um motor de aeronave capaz de ser usado tanto em aeronaves civis quanto militares e que desenvolvesse pelo menos 800 cv. Para atender às exigências, a Daimler-Benz desenvolveu o protótipo F4A.
Após testes, o modelo passou a ser vendido e foi rebatizado de DB600, sendo um V12 com a incomum disposição invertida, também conhecida por motor em A, onde o cárter e o virabrequim estão para cima e os cabeçotes para baixo.
Para não acumular óleo nos cilindros, a empresa adotou o sistema de cárter a seco onde o reservatório de lubrificante fica num compartimento separado do motor e três bombas bombeiam ou retiram o óleo da mecânica. Com isso, a mecânica ganhou mais uma vantagem: poder trabalhar em qualquer posição, algo essencial a aeronaves de combate.
As bancadas do V12 estão dispostas a um ângulo de 60º e apesar de ter comando simples no cabeçote, ele tinha quatro válvulas por cilindro. Além disso o motor tinha supercharger centrífugo e tudo isso era comandado por um conjunto de engrenagens ligadas ao virabrequim.

Havia também engrenagens redutoras de giros, assim se a mecânica estivesse em 2800 rpm a hélice estaria em 1700. O diâmetro e curso era de 150 por 160 mm, dando volume total de 33.9 litros. Apesar do alto volume, graças ao seu bloco composto em liga de alumínio, ele pesava 640 kg.
O motor ainda contava com dois sistemas de ignição e duas velas por cilindro para facilitar a combustão nas câmaras, pois outra exigência do governo era usar combustíveis de baixa qualidade. Além disso, se uma vela falhasse, a outra ainda poderia funcionar. Devido à exigência, o DB600 tinha taxa de compressão com apenas 6,9:1.
As bielas eram alinhadas ao estilo garfo e lâmina, onde uma peça fica encaixada dentro da outra e dessa maneira, o virabrequim era compacto e as duas bancadas de cilindros eram perfeitamente alinhadas. A alimentação era feita por seis carburadores de corpo duplo.
As variantes da linha DB600
Entretanto, a companhia adotou o sistema de injeção direta de combustível, cuja alimentação era por bomba injetora da Bosch, sendo semelhante ao utilizado em motores Diesel e a mecânica foi batizada de Daimler-Benz DB601, cujas vendas iniciaram em 1937.
Outra exigência do governo era usar sistema de arrefecimento compacto. Assim os motores tinham dois reservatórios e dois radiadores, onde cada um deles ficava em uma asa para melhorar a capacidade de arrefecimento. Ao centro havia mais um radiador, porém de óleo.
A mecânica invertida tinha também razão prática: melhorava a visibilidade do piloto pois as aeronaves, principalmente as de combate, tinham o motor instalado no bico. Além disso baixava o centro de gravidade da aeronave e com os escapes voltados para baixo, a cabine não sujava com óleo e combustível sem queimar.
O Messerschmitt BF109 foi um avião de combate projetado especialmente para usar o moto e possibilitou instalar uma metralhadora de 30 mm ao centro do propulsor, já que o cano passava no vão V12. Assim a arma tinha maior precisão nos disparos, pois o peso da mecânica neutralizava as vibrações dos disparos.

O motor da Daimler-Benz fez muito sucesso e licenciou sua mecânica para fabricantes italianas e japonesas. Os modelos BF109 eram muito respeitados pela eficácia em combates aéreos, sendo um modelo a ser superado pelas forças aliadas.
A empresa também criou o modelo DB605, cujo volume era maior com diâmetro e curso de 154 x 160 mm e total de 35.7 litros. Essa versão recebeu sistemas auxiliares para aumentar a potência como o sistema de óxido nitroso GM1 e injeção de água com metanol MW50.
Ainda existiu o motor DB603 que tinha volume ainda maior, com diâmetro e curso de 162 por 180 mm e total de 44.5 litros. Mas ainda teve os modelos Doppelmotor ou motores duplos, sendo modelos de 24 cilindros em W. As versões duplas eram o DB606 (união de dois DB601), DB610 (dois DB605) e DB613 (sendo dois DB603).
Os motores Daimler-Benz DB600 foram um dos mais produzidos da Segunda Guerra, tendo mais de 72 mil exemplares feitos e o modelo com maior volume foi o DB605 com 42.400 unidades. Os motores alemães ficaram notórios pela engenharia refinada e alta potência apesar da carência de bons combustíveis e lubrificantes.
