
Nos anos 70 havia muitos fãs de motos trail no Brasil, porém havia poucas opções no mercado como a gaúcha FBM 125 Rallye, a Yamaha TT125 – um modelo adaptado pela própria empresa sobre a RX125 e a Honda FS125 que era uma adaptação homologada pela Honda feita sobre a CG125 feita pela concessionária Motojumbo.
Mas em 1981 a Yamaha mudou a estratégia ao substituir a TT125 por um modelo criado para o universo fora de estrada desde seu desenvolvimento: a DT180. Antes dela era somente a gaúcha FBM 125 Rallye que realmente tinha sido concebida como moto de trilha, pois as outras eram adaptações.
A DT180 tinha para lamas altos, suspensão elevada e outros itens para o fora de estrada. A novidade era a suspensão traseira monochoque e seu motor, assim como toda a Yamaha brasileira na época, tinha ciclo dois tempos arrefecido a ar de um cilindro, 176,4 cm³ e potência de 16,6 cv a 7000 rpm e 1,74 kgfm a 6500 rpm de torque.

O motor tinha o sistema Torque Induction: uma palheta que segura a entrada de ar/combustível enquanto o motor realiza a combustão e o YEIS (Yamaha Energy Induction System): uma câmara localizada no coletor de admissão, onde se armazena temporariamente a mistura segurada pelo sistema de palhetas.
Os dois sistemas trabalham juntos e tem o intuito de economizar combustível e obter mais torque em baixos regimes. A DT180 tinha câmbio de seis marchas e sistema Autolube – um reservatório para óleo dois tempos, não sendo necessário fazer a mistura toda vez que fosse abastecer a motocicleta.
Por ser uma moto leve com apenas 102 kg e um motor de boa potência para a época, a Yamaha DT180 se tornou num grande sucesso de vendas e conquistou não só trilheiros como também fãs de motos altas e robustas. Em 1983 a moto passou a vir com balança traseira retangular mais robusta e ganhou o sobrenome de Super Trail.

Com o sucesso da Yamaha, a Honda contra-atacou com a XL250 com motor 4 tempos. Porém o modelo da Yamaha era mais barato e para não perder terreno para a rival, a empresa realizou profundas modificações na DT180 para 1985.
O modelo 1985 batizada de DT180N teve muitas mudanças, onde o tanque aumentou a capacidade de 10 para 13 litros com o famoso formato de vulcão, farol quadrado recoberto por uma capa em fibra, novos grafismos, sistema elétrico de 12 volts e as pedaleiras do passageiro foram instaladas no quadro. Em 1988 a moto ganhou freio a disco dianteiro e passou a se chamar DT180Z, que também tinha protetores para as mãos.
No mesmo ano, a família aumentou com o modelo TDR180, uma trail voltada mais para o uso urbano, com para lama dianteiro baixo e estética que lembrava a linha Ténéré. A roda dianteira de 18 polegadas ao invés do aro 21 da DT180, mas tinha mais potência com 18 cv. Entretanto o modelo não emplacou e saiu de linha em 1993.
A vinda da DT-200
Em 1991, a linha recebeu freio a disco ventilado e foi lançada a nova DT200, um modelo bem mais moderno com arrefecimento líquido de 195 cm³, potência de 25 cv a 8500 rpm e torque de 2,1 kgfm a 8000 rpm. O novo motor vinha com o sistema YPVS (Yamaha Power Valve System), sendo a evolução do Torque Induction.
Apesar do novo modelo, a DT180 ainda continuou em produção por ser mais barata e acessível. Em 1994 foi lançada a joia da coroa dos fãs da linha DT: a 200R, possuindo semi-carenagens nas laterais do tanque para captar mais ar ao radiador, ficando com o mesmo estilo das trilheiras importadas.
A Yamaha DT180 saiu de linha em 1997 e no ano 2000 a DT200 para de ser fabricada, sendo a última moto com motor dois tempos fabricada no Brasil. A Yamaha DT fez muito sucesso, sendo que em seu auge chegou ocupar o terceiro lugar dentre as motos mais vendidas do Brasil.

Em seu segmento foi líder absoluta por muitos anos, dessa forma é muito fácil encontrar essas motos por aí. Porém encontrar uma licenciada para as ruas e em bom estado está se tornando numa tarefa difícil, pois a maioria foi (e é usada até hoje) para prática de trilhas e motocross.
Pelo fato de muitas não estarem mais aptas para rodar nas ruas as motos licenciadas são valorizadas, sendo que os modelos 180N e Z são os mais fáceis de encontrar, já o 200R é o mais valioso de todos, sendo até mais caro do que muita moto maior e mais potente!