Pular para o conteúdo
Home » A Moto Mais Estranha da História!

A Moto Mais Estranha da História!

A motocicleta alemã Megola é altamente exótica, com soluções que nenhuma outra moto usou!

Nos anos 20, uma fabricante alemã de curta duração criou uma das motos mais incomuns da história: a Megola. O nome da empresa era a união das iniciais dos sobrenomes dos três sócios que a fundaram: Hans Meixner (Me), Fritz Gockerell (Go) e Otto Landgraf (La), cuja fábrica fora fundada em 1921 na cidade de Munique, capital do estado da Baviera.

Gockerell (também chamado de Cockerell) trabalhava como engenheiro na fábrica de motores Rapp e criou um motor radial de pequenas dimensões para equipar motocicletas. Essa empresa se uniu com outras fabricantes da região e resultou na companhia Bayerische Motoren Werke, a famosa BMW.

Gockerell passou a trabalhar como engenheiro de testes na BMW, mas continuou trabalhando em seu motor radial para motocicletas e dois investidores juntaram forças: Meixner e Landgraf. Os sócios decidiram criar uma motocicleta com a mecânica, porém o resultado final foi algo completamente fora da curva!

Exótica em Todos os Detalhes!

O motor era um 5 cilindros radial de 640 cm³ arrefecida a ar montada diretamente na roda dianteira, assim a mecânica girava junto com a mesma e não possuía câmbio e nem embreagem. A engrenagem no eixo dianteiro tinha relação de seis para um, então o motor girava seis vezes mais que a rotação da roda, assim se essa estivesse a 600 rpm, a mecânica estaria a 3600 rpm.

Apesar do motor desenvolver uma potência modesta de 14 cv, a transmissão da mesma era direta na roda, o que a deixava com um bom desempenho para a época, chegando aos 85 km/h de velocidade máxima, sendo que nas versões de corrida poderia alcançar aos 145 km/h.

A mecânica da Megola era um 5 cilindros radial montado na roda dianteira, ou seja: talvez seja a única motocicleta com tração dianteira da história!
A mecânica da Megola era um 5 cilindros radial montado na roda dianteira, ou seja: talvez seja a única motocicleta com tração dianteira da história!

Outro ponto positivo era que o motor ficava na altura da roda, proporcionando centro de gravidade mais baixo o que melhorava a estabilidade. A moto tinha dois tanques, um grande que ficava na carroceria da moto e um bem pequeno na altura do para lama dianteiro.

As suspensões da moto também são bem curiosas, sendo por feixe de molas semi-elípticas (a famosa suspensão de charrete que ainda é usada nos eixos traseiros de caminhonetes e caminhões) tanto na frente quanto na traseira. A câmara do pneu era em ‘salsicha’ ao invés de circular e assim podia reparar sem precisar tirar o motor (esse tipo de câmara já era comercializada há muito tempo antes de criarem a moto).

Boa Pra Passear, Complicada Pra Parar.

Para funcionar o motor, se levantava a frente com um grande descanso e girava a roda dianteira. Mas havia um inconveniente: como não existe embreagem, significa que para parar a motocicleta o motor teria de ser desligado, sendo que no manual era sugerido dar voltas em círculos no local onde teria de parar para não cortar a ignição.

Como a moto tinha chassi baixo e curvo, na versão de rua a posição de pilotagem era bastante confortável lembrando uma custom, possuindo uma verdadeira poltrona e guidões quase ao estilo ‘seca sovaco’ e até tinha descanso para os pés.

A versão de corrida tinha guidão baixo e assento lembrando um selim de bicicleta (algo comum em motocicletas da época).
A versão de corrida tinha guidão baixo e assento lembrando um selim de bicicleta (algo comum em motocicletas da época).

Nas corridas a Megola fez bastante sucesso, sendo que o piloto alemão Toni Bauhofer ganhou o campeonato alemão em 1924 na categoria acima de 500 cm³. No entanto, a Megola não durou muito tempo e encerrou suas atividades em 1925 e produziram, aproximadamente, 2000 exemplares. A companhia só fez essa moto que não tinha nome de modelo e ficou conhecida somente por ‘Megola’.

Novo Projeto Nos Anos 30 e Exemplares Sobreviventes.

Em 1938, Robert Killinger e Walter Freund criaram uma versão aperfeiçoada da Megola que teve ajuda de Fritz Gockerell no projeto. Conhecida por Killinger & Freund, se tratava de uma moto leve com 135 kg. A mecânica um radial de três cilindros com ciclo dois tempos e 600 cm³, mas agora tinha embreagem e câmbio de duas marchas.

No final dos anos 30, criaram o que seria a sucessora da Megola, conhecida por Killinger & Freund, porém o modelo não chegou a ser produzido em série.
No final dos anos 30, criaram o que seria a sucessora da Megola, conhecida por Killinger & Freund, porém o modelo não chegou a ser produzido em série.

Porém logo iniciou a Segunda Guerra Mundial e seus planos de produção foram suspensos (e nunca mais retomados). Atualmente, se sabe de apenas 15 sobreviventes da Megola: uma está no Deutsches Museum, famoso museu de Munique e até foi exposta no museu Guggenheim de Nova York. Um exemplar está com o apresentador de televisão e colecionador Jay Leno.

Também existem as réplicas construídas por fãs e admiradores da exótica motocicleta sendo que uma delas, com motor legítimo dos anos 20, foi vendida em 2016 pela famosa casa de leilões Bonhams de Londres (Inglaterra), por 82.140 libras ou mais de 500 mil reais em valores atuais!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *