
Bimota é uma fabricante italiana famosa por criar motos muito luxuosas, tecnológicas e caras. Se as motocicletas da MV Agusta e da Ducati são chamadas de Ferrari de duas rodas, acredito que essa empresa seria uma fabricante ainda mais exclusiva tipo a Pagani.
Cada motocicleta da empresa é feita à mão na cidade de Rimini, ao norte da Itália. Fundada em 1973, o nome da empresa são as iniciais dos sobrenomes dos fundadores: Valerio Bianchi, Giuseppe Morri e Massimo Tamburini (BIanchi, MOrri, TAmburini). A empresa começou criando chassis para melhorar as motos já existentes, mas depois passaram a comercializar seus próprios produtos.

Suas motos usavam mecânicas das quatro grandes japonesas (Honda, Yamaha, Suzuki e Kawasaki) e nos anos 80 até fizeram motos esportivas da marca Lamborghini, mas a aliança acabou logo porque pouco tempo depois a fábrica de superesportivos foi arrematada pela Chrysler e somente seis unidades foram feitas.
Nos anos 80, a empresa estava passando por problemas financeiros e Tamburini saiu da companhia para trabalhar na Ducati. Federico Martini se tornou no novo presidente e conseguiu colocar a Bimota de volta aos eixos, principalmente quando as fabricantes japonesas passaram a restringir fornecimento de suas mecânicas.
A suspensão exótica
A companhia firmou aliança com a Ducati para ser sua nova fornecedora de motores e decidiu confiar no talento do jovem engenheiro Pierluigi Marconi que tinha acabado de se formar na Universidade de Bolonha, cuja tese de conclusão de curso apresentava um conceito incomum de suspensão dianteira para motocicletas!
Marconi criou um sistema de suspensão dianteira sem garfo, que consiste em um guidão comum, mas esse movimenta um sistema de braços para virar a roda da moto, lembrando vagamente rédeas para cavalos. Porém isso é só uma parte da excentricidade:
Na dianteira há um sistema de suspensão de braço duplo, lembrando o sistema de suspensão traseira monochoque. O amortecimento dianteiro fica a cargo de um robusto amortecedor com mola instalada no chassi ao lado esquerdo do veículo.

O chassi tem formato de ferradura e proporciona centro de gravidade baixo, melhorando a estabilidade da motocicleta. Por anos a empresa desenvolveu a teoria e apresentaram em 1990 a Tesi, ou tese em italiano devido a ideia do então aluno de engenharia Pierluigi Marconi que àquela época já trabalhava na Bimota.
A Bimota Tesi 1D era um modelo carenado com linhas suaves e arredondadas que lhe conferiu um visual gorducho. A Tesi 1D era monoposto e sua mecânica de origem Ducati era um V2 a 90º de 851 cm³ equipado com injeção eletrônica e câmbio de 6 marchas. A 1D desenvolvia 103 cv a 9500 rpm e torque de 8,75 kgfm a 8500 rpm.
Se uma Bimota comum já era mais cara do que a concorrência, a Tesi tinha preço ainda mais alto, mas ainda assim vendeu 127 unidades o que era uma boa marca, pois seu preço era o equivalente a três Ducatis com mecânica semelhante.

A Tesi 1D era leve para os padrões da época, tendo 188 kg e podia passar dos 255 km/h de velocidade máxima. Assim como todos os produtos da Bimota, a Tesi empregava o que havia de melhor no mercado como chassi e braços todos em alumínio, suspensões da Marzocchi e freios com pinças da Brembo.
Por se tratar de uma pequena fabricante que faz motos exclusivas e caras, a Bimota sempre vendeu produtos de alta qualidade, conquistando um público fiel que paga caro sem pestanejar. Porém esse é um mercado perigoso, pois se algum produto tiver problema ou erro de projeto pode ser fatal…
A queda da Bimota
Em 1997, a Bimota criou a V-Due: uma bela esportiva equipada com o primeiro (e único) motor de fabricação própria. A mecânica era um V2 com ciclo dois tempos de 500 cm³, cuja maior novidade era o emprego da injeção eletrônica direta que tinha sido desenvolvida inicialmente para sua divisão de competições.
A vantagem da tecnologia era a redução no nível de emissões e também um aumento significativo de potência. A V-Due desenvolvia 105 cv a 9000 rpm e 9,2 kgfm a 8000 rpm e seu câmbio tinha 6 marchas, que fazia a moto chegar a 265 km/h de velocidade máxima, sendo a moto de rua com ciclo dois tempos mais veloz já fabricada!

Apesar de terem desenvolvido o motor por oito anos, a novidade tecnológica apresentou falhas de injeção que deu muita dor de cabeça aos proprietários e fez a empresa gastar muito dinheiro para sanar os problemas e fez recall para substituir todos os sistemas de injeção.
Pra piorar, um dos patrocinadores da divisão de competições faliu e não pagou sua cota de patrocínio à Bimota e assim a empresa faliu em 2003. Porém um grupo de investidores assumiu a companhia logo após o anúncio da falência e assim continuou viva, como se tivessem feito uma ressurreição cardíaca.
As outras motos da linha Tesi
A V-Due, agora sem defeitos, continuou sendo produzida normalmente. Em 2004 foi lançada a Tesi 2D com linhas muito ousadas e sem carenagem onde se mostra todo o quadro e a famigerada suspensão dianteira. O motor era um V2 a 90º de origem Ducati com 992 cm³, 87 cv a 8000 rpm, torque de 8,6 kgfm a 5000 rpm e era muito leve com apenas 154 kg.

O modelo monoposto era tão ousado no design que acabou dividindo opiniões como banco de estofamento dividido ao meio, design frontal estranho e um exótico sistema de escape onde os gases saem quase na dianteira da motocicleta. Não é à toa que somente 25 unidades foram feitas.
Mas em 2006 lançaram a sucessora 3D, essa sim com linhas mais harmoniosas e continuou com o mesmo conceito naked do modelo anterior. Seu motor Ducati de 1078 cm³ desenvolvia 95 cv a 7750 rpm e torque de 10,5 kgfm a 4750 rpm a deixando muito esperta nas arrancadas e pesava somente 168 kg.
O amortecedor dianteiro agora estava posicionado ao centro e seu quadro em alumínio era ainda menor em relação as gerações anteriores. Boa parte da Tesi 3D empregava fibra de carbono e escapes integrados à rabeta serviu de inspiração para outras fabricantes como o B-King da Suzuki.
Em 2008, a Bimota veio oficialmente ao Brasil representada pela Perfect Motors, que era administrada pelos empresários Marco Caruso e Carlos Ludman. Alguns exemplares da Tesi 3D foram vendidas no Brasil, porém a crise e instabilidade política que o país sofreu na década seguinte fez a empresa parar com as importações.

Além disso a própria Bimota estava passando por muitos problemas e em 2017, a companhia fechou novamente suas portas…Mas felizmente, veio outra luz ao final do túnel quando passou a contar com a poderosa sócia Kawasaki que comprou quase 50% das ações!
Agora as luxuosas motos passam a contar com componentes mecânicos da corporação japonesa e a Tesi ressurgiu muito poderosa! Em 2020, apresentaram a Tesi H2 que continua sendo um monoposto como nas gerações anteriores.

A moto está equipada com o motor mais poderoso que a linha Tesi já recebeu: o Kawasaki com supercharger da esportiva H2, sendo daí a origem do nome. O motor com 998 cm³ desenvolve 231 cv a 11500 rpm e torque de 14,4 kgfm a 11000 rpm, já seu câmbio tem seis marchas.
A moto pesa 207 kg e tem carroceria em fibra de carbono e componentes da mais alta e fina qualidade. Sua velocidade máxima é limitada a 300 km/h como na Kawasaki H2. Com o aumento da demanda por motos trilheiras, a companhia criou a Tesi H2 Tera que foi apresentada em 2023.
A H2 Tera é a primeira motocicleta da linha Tesi que não é uma monoposto, sendo uma bela e potente big trail que usa o mesmo motor com supercharger da Tesi H2 e desenvolve 200 cv a 11000 rpm e 14 kgfm de torque a 8500 rpm, sendo a motocicleta mais potente do mundo em seu segmento!
Com 233 kg e câmbio de 6 marchas, sua velocidade máxima é estimada em 288 km/h, sendo mais que o suficiente para proporcionar desempenho excepcional em longas viagens! Assim como qualquer Bimota, a H2 Tera conta com componentes nobres como alumínio billet e fibra de carbono.
A Bimota continua fazendo suas motos na fábrica em Rimini e preserva a filosofia de construção artesanal, mas agora conta com a força financeira da Kawasaki que a deixou mais forte do que nunca! Tanto que a companhia conta com uma boa gama de produtos, tendo modelos esportivos, naked e trail.
