
Em 1971, a companhia japonesa Komatsu lançou o trator de esteira D155W que tinha atributos incomuns o fazendo capaz de trabalhar debaixo d’água em até 7 metros de profundidade! Com certeza isso deve ter deixado muitas dúvidas, mas as principais devem ser: como consegue e qual a utilidade.
Baseado no trator de esteira D155, o modelo pintado na cor verde ao invés do tradicional amarelo, o veículo era todo reforçado para trabalhar sob essas condições, tendo um excelente isolamento da mecânica e tinha um imenso snorkel onde saía os gases do escape e o ar para o filtro.
Diferente do D155 que usa lâmina para empurrar a terra, o modelo anfíbio usava um mecanismo hidráulico para recolher os sedimentos para depois serem jogados fora da água. Na traseira, o veículo usa ripper assim como um trator de esteira comum.

O veículo não tem cabine para o operador, mas sim uma central eletrônica para trabalhar como um radio-controlado. Como o operador ficava em terra firme e não podia ver o veículo submerso, o veículo tinha sistema de sonar para auxiliar na operação. Por ter alcance e profundidade limitada, o veículo só trabalha nas margens.
Como mecânica usava o Komatsu S6D155-4, sendo o mesmo motor utilizado no trator de esteira comum que fora desenvolvido em conjunto com a Cummins. O modelo era um 6 cilindros em linha turbo Diesel de 19.3 litros e potência de 302 cv.
Quando o veículo não estava em uso, era possível deitar o snorkel para poder ser guardado em garagens ou ser transportado em caminhões. Todo o veículo era protegido para não sofrer as ações da maresia, assim ele também poderia trabalhar em água salgada.
O veículo era usado para projetos costeiros, realizar manutenções em rios e litorais, incluindo a dragagem de rios para facilitar a navegação portuária. O veículo considerado como o primeiro trator anfíbio do mundo, facilitou muito o trabalho em margens submersas.

No Japão, o veículo foi utilizado em mais de 1.200 obras pelo país e também seria comercializado em muitos países. Devido ao alto preço e designado para um serviço muito específico, o D155W teve apenas 36 unidades feitas até o fim de sua produção ao início dos anos 80.
Nos anos 80, um exemplar foi designado para ajudar nos esforços da tragédia nuclear de Chernobyl, na atual Ucrânia, pois era capaz de alcançar lugares altamente radioativos onde uma pessoa não podia chegar, mesmo usando equipamentos de segurança.
Atualmente, há muitos exemplares ainda em operação e ainda chamam muito a atenção devido a sua capacidade de trabalhar no modo submerso sem problemas, até mesmo nos oceanos. A companhia está planejando criar um novo modelo capaz de realizar o mesmo serviço, porém terá motor elétrico e alcance de até 50 metros de profundidade!

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