
Nos anos 70 a equipe Brabham, fundada pelo piloto australiano e tricampeão Sir Jack Brabham, continuava entre as grandes da Fórmula 1 e era administrada desde 1972 por Bernie Ecclestone que no futuro seria o presidente da Formula One Group – a organizadora da categoria.
Em 1978 a equipe tinha um time de peso: o projetista era o sul africano Gordon Murray e os pilotos eram o inglês John Watson e o austríaco Niki Lauda – o atual campeão (título conquistado pela Ferrari), já o piloto reserva era Nelson Piquet.
A fornecedora de motores era a Alfa Romeo e o carro Brabham BT-46 vinha equipado com o Tipo 115-12 – um motor horizontal de 12 cilindros e potência de 540 cv a 12.000 rpm. O motor todo em liga leve era mais potente que o Ford Corworth V8 do ano anterior, mas era beberrão e pesado, o que obrigou a Brabham adotar medidas para deixa-lo mais leve.
O carro estreou na terceira etapa no GP da África do Sul, em Kyalami, e se provou muito competitivo com o Niki Lauda conquistando a pole position. No entanto, Lauda abandonou a prova por problemas mecânicos após completar 52 voltas. Já John Watson conseguiu levar seu carro ao final e conquistou um ótimo terceiro lugar!
Mas o carro continuou tendo problemas e somente na quinta etapa, em Mônaco, é que os dois pilotos completaram a corrida com Lauda em segundo e Watson em quarto. Mas para a etapa da Suécia, Gordon Murray teve uma ideia original e interessante para melhorar a estabilidade e implementou no carro batizado de BT-46B.
O ‘Carro Ventilador’
O BT-46B foi baseado no norte americano Chaparral 2J – um estranho carro de corrida da Can-Am dotado de duas enormes ventoinhas traseiras que melhorou muito sua estabilidade, um fenômeno conhecido como efeito solo.
Para driblar a regra da Formula 1, que não permitia adereço aerodinâmico móvel, a equipe usou o ventilador como artifício para arrefecer o motor, fazendo também o papel de ventoinha do radiador que mudou sua posição para a traseira, acima do motor e essa solução lhe rendeu o apelido de ‘Carro Ventilador’.
Gordon Murray apelou ao artifício pois o motor 12 cilindros horizontal da Alfa Romeo não permitia criar um túnel de vento para proporcionar o efeito solo desejado. A equipe tinha pressa, pois a rival Lotus estava testando carros aerodinâmicos como o Type 78 que, quando não davam problemas, eram muito velozes!

Então os dois BT-46B estavam prontos para serem usados no GP da Suécia, no autódromo de Anderstorp – a oitava etapa do mundial de 1978. Já nos treinos classificatórios os carros já mostraram que vieram pra criar polêmica: os adversários reclamavam que a ventoinha dos carros jogavam sujeira como um grande soprador de folhas.
Apesar dos muitos protestos de equipes e pilotos, os BT-46B foram autorizados para competir. Para amenizar os ânimos, Ecclestone pediu para Lauda e Watson maneirarem no ritmo para não disputar a pole position, mas que não ficasse tão longe do pelotão dianteiro. Ainda assim o inglês conseguiu o segundo lugar e o austríaco o terceiro.
Quando largaram, deixaram o pole position Mario Andretti manter a dianteira e Lauda sempre se mantinha atrás do norte americano. A corrida de John Watson não durou muito, já que o motor Alfa Romeo quebrou e assim abandonou a prova na volta 19.
Vitória e banimento
A partir da volta 35, Lauda passou a atacar Andretti e na volta 39 faz a ultrapassagem. Com um carro bem superior na estabilidade, o Brabham era até capaz de andar na parte suja da pista sem comprometer o desempenho. Apesar disso, Lauda se sentiu esgotado após a prova pois o peso de gravidade era transferido ao seu corpo quando contornava as curvas.

Enquanto Mario tentava seguir o carro, Lauda só abria mais vantagem e na volta 47, o motor Ford Cosworth de Andretti quebra e o austríaco não seria mais ameaçado, vencendo a prova com uma diferença superior a 40 segundos em relação ao italiano Riccardo Patrese e o pódio foi finalizado pelo sueco Ronnie Peterson.
Apesar da vitória do Brabham não ter sido invalidada, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) baniu o artifício da equipe e o BT-46B foi aposentado e entrou pra história. Os BT-46 normais não conseguiram combater a superioridade dos Lotus e seu piloto Mario Andretti levou o título de 1978.