
Quando era adolescente, pude ver muitas vezes a fábrica da Matra às margens da rodovia BR-153, próxima à cidade de Ibaiti, na região do Norte Pioneiro do Paraná. Eu moro não muito longe de Ibaiti, eu sou de Carlópolis que é uma cidade ainda menor.
Sempre que via aqueles curiosos veículos no pátio e um ‘Matra’ na fachada, como grande fã de automobilismo que sempre fui, imaginava ser uma filial da escuderia francesa da Fórmula 1, entretanto logo percebi que era uma empresa muito humilde para isso, já que o barracão e seus veículos eram simples.
Só depois que pude ter acesso à internet pude saber de toda a história e ainda soube de uma outra Matra em Santa Catarina, sendo que até vi alguns exemplares, mas não conseguia decifrar de que modelo se tratava pois seu nome não era mais legível. A fabricante de Palhoça (SC) teve uma vida muito curta, fazendo somente 180 exemplares de caminhões e ônibus entre 1987 a 1991.

Mas voltando à Matra de paranaense, soube que seu nome era a inversão das sílabas do sobrenome de seu idealizador Nivaldo Trama. Nivaldo queria uma caminhonete robusta voltada para o povo do campo para “substituir” a aclamada Toyota Bandeirante, cujo encerramento da produção foi em 2001.
A companhia Matra lançou seu produto em 2001 que não tinha nome de modelo. O veículo era muito rústico, dotado de chassi reforçado, cabine semi avançada em fibra de vidro e capacidade de carga de 1300 kg. O design lembrava vagamente o Mercedes Benz Unimog e sua frente com grade de cortes verticais e faróis redondos lembravam um pouco o Jeep.
O veículo tinha tração 4×4 com reduzida, cuja caixa de transferência era de projeto próprio. Seu motor Diesel era o Maxion HS 2.5 com turbo e intercooler de 115 cv a 4000 rpm e 29 kgfm a 1600 rpm, já seu câmbio manual tinha cinco marchas, sendo o mesmo conjunto que equipava a caminhonete Ford Ranger e a linha de vans Mercedes Benz Sprinter da época.
Por ser um veículo muito simples, direção hidráulica e freios à disco na dianteira eram opcionais. Diversas versões eram oferecidas ao público como chassi curto ou longo, cabine simples, estendida ou dupla, caçamba de metal ou madeira e também tinha o modelo só com tração 4×2.
Infelizmente as vendas sempre foram fracas…
A empresa tinha planos em construir uma versão furgão e até um micro ônibus para transporte escolar. Infelizmente, suas vendas sempre foram fracas e tais projetos nunca saíram do papel. Com capacidade de fabricar quarenta carros por mês e instalações para acomodar cento e trinta veículos estacionados, o desempenho da Matra paranaense foi tão fraco quanto ao da catarinense.

A Matra só produziu cento e vinte unidades até agosto de 2005, quando a fábrica encerrou suas atividades. Ou seja, todos os veículos fabricados nesses quatro anos não dariam para lotar seu pátio. Alguns de seus exemplares até foram exportados para a América Latina, mas a maioria absoluta foi vendida ao público brasileiro.
Atualmente, suas instalações se tornaram depósito de mercadorias para uma rede de lojas de móveis e eletrodomésticos da região. Muitos podem até achar que a Matra não tenha vingado por estar numa região distante dos grandes centros, mas a empresa Pro Tork de Siqueira Campos (PR) fica pouco mais de 50 km de Ibaiti e atualmente é a maior fabricante de peças e componentes para motocicletas da América Latina.
A companhia indiana de tratores Preet anunciou que vai montar uma fábrica em Ibaiti, porém não há informações se suas instalações serão na antiga fábrica da Matra ou se serão feitos em outro lugar do município. Particularmente, faz muitos anos que não passo por Ibaiti, assim não tenho maiores informações por enquanto, mas assim que tiver, atualizarei essa postagem!
