
Após a crise do petróleo de 1973, os fãs de automóveis dos Estados Unidos testemunharam seus ‘heróis de lata’ perderem seus motores com carburadores furiosos para mecânicas estranguladas, sendo que muitos modelos até perderam o apelo esportivo. Mas em 1978, a Dodge criou o que seria um esportivo num corpo de caminhonete!
Em 1978, o V8 de 7.2 litros só equipava os carros mais luxuosos da Chrysler e as viaturas de polícia. Fora desse círculo, o maior motor disponível ao grupo era o LA-360, uma variante de maior volume em relação ao LA-318 (esse motor ficou famoso no Brasil por equipar os sedãs da Dodge entre os anos 60 a 80).
O motor 360 era um small block de 5.9 litros que tinha a potência estrangulada para atender normas de emissões, principalmente no estado da California que era o mais rígido dos Estados Unidos. Na época, a Dodge achou uma brecha na lei, onde veículos com peso bruto total acima de 6.000 libras (mais de 2.720 quilos) não precisavam usar catalisador, um aparato para filtrar os poluentes que roubava a potência do motor.

Assim a Dodge criou a caminhonete D150 Li’l Red Express, que tinha 6.100 libras de peso bruto total, ou quase 2.767 quilos, que a tornava imune ao emprego do equipamento. A linha era integrante de uma edição limitada chamada de Adult Toys que trouxe de volta o espírito esportivo tão presente na empresa até o início dos anos 70.
Brinquedo muito rápido!
A caminhonete só vinha na cor vermelha com emblema ‘Li’l Red Express Truck’ decorando suas portas como num ‘carro de firma’, caçamba stepside com acabamentos externos em madeira, dois escapes nas laterais atrás da cabine imitando os caminhões norte americanos (stacks) e um belo jogo de rodas cromadas com pneus Goodyear de escrita branca.
Na tampa traseira está escrito Li’l Red Truck envolto por acabamento decorativo em madeira. O interior poderia ser monocromático (vindo com forração em vermelho) e tinha painel com instrumentação completa, além do clássico câmbio automático na coluna de direção.
Além do visual atrativo, a caminhonete também era potente pois seu V8 de 5.9 litros desenvolvia 225 cv a 3.800 rpm e torque de 40,8 kgfm a 3.200 rpm, sendo ambos dados líquidos. Para tal potência, além da ausência do catalisador, o V8 contava com carburador quadrijet feito pela Mopar em conjunto com a Carter.

O único câmbio disponível era o automático A727, na versão LoadFlite para caminhonetes, com três marchas e seu diferencial era de deslizamento limitado, sendo que ele vinha somente com tração traseira, sem opção de tração 4×4. O Li’l Red Express era veloz, fazendo de 0 a 60 mp/h (0 a 97 km/h) em 6,7 segundos e quarto de milha (402 m) em 15,7 segundos e podia alcançar 190 km/h de velocidade máxima.
Esse legítimo muscle truck era o veículo mais veloz produzido nos EUA em sua época, sendo até superior ao Chevrolet Corvette. Apesar do alto preço, o produto fez sucesso e em 1979 o modelo veio com a frente reestilizada da linha D150 de quatro faróis quadrados.
O modelo continuou com os itens de série da versão de 1978 e continuava com os seus 225 cv, no entanto, o governo pegou no pé da Dodge e a caminhonete não escapou do catalisador e do velocímetro marcando somente 85 mph (136 km/h) de máxima, mesmo o carro andando mais do que isso.

Em 1979 houve um golpe de estado no Irã, cujas atividades petrolíferas foram comprometidas. Como o país era (e ainda é) um dos maiores produtores de petróleo no mundo, começou a segunda crise do petróleo. Com isso, os clientes optariam por veículos econômicos, deixando modelos de alto desempenho de escanteio.
A produção da D150 na versão Li’l Red Express foi finalizada ainda em 1979, onde produziram por volta de 7.400 unidades. O conceito de caminhonete esportiva só voltaria ao início dos anos 90, assim o modelo da Dodge antecipou uma tendência de veículo que conquistaria muitos clientes no futuro.
