
Quase todos conhecem a famosa fabricante de tratores Case, sendo uma das mais antigas fabricantes de máquinas agrícolas do mundo. Fundada por Jerome Increase Case em 1842, atualmente é considerada uma das maiores fabricantes de tratores do mundo, tanto na agricultura quanto na construção civil. Mas o que muita gente não sabe é que a Case também já fabricou automóveis!
No início do século 20, a J. I. Case Threshing Machine Company já era uma grande fabricante de tratores e implementos agrícolas quando, de repente, se viu como proprietária de uma fábrica de automóveis e decidiu aproveitar a oportunidade…
A história começa em 1895 quando o inventor Andrew J. Pierce fabricou seu primeiro automóvel em Racine, no estado do Wisconsin, cidade onde também fica a sede da Case. A empresa de Andrew se chamava Pierce-Racine, que não tem relação com e fabricante de automóveis de luxo Pierce-Arrow, com sede em Buffalo (Nova York).

A Pierce-Racine fabricava automóveis de luxo e logo passou a produzir pequenos motores estacionários. Para conseguir a expansão de sua empresa, Andrew convenceu os executivos e investidores da Case a investir em sua companhia.
Pouco tempo depois, a Pierce-Racine perdeu o controle de suas finanças e entrou em concordata. O pessoal da Case viu potencial no empreendimento e decidiu comprar a Pierce-Racine em 1910 e com isso, a empresa acabou ingressando no ramo de automóveis, cuja produção se iniciou em 1911.
Parecia fácil vender automóveis, mas não foi…
A ideia não era ruim, já que a Case possuía uma grande rede de concessionários e representantes nos Estados Unidos com, aproximadamente, oito mil revendedores e agentes. Oferecer seus novos produtos aos clientes que já confiavam na Case não seria uma tarefa tão difícil, pelo menos na teoria.
Querendo focar em seus clientes fazendeiros e sitiantes, logo observaram que não seria tão fácil vender seus automóveis pois eram muito caros! No início dos anos 10, os automóveis da Case valiam entre US$ 1.750,00 a US$ 1.950,00, sendo pouca coisa mais barato do que um trator que ficava na média de US$ 2.000,00 a US$ 2.500.00.
Outro problema, é que na época o Ford T já estava ganhando popularidade por conta de seu método de produção em linha de montagem que tornava o produto muito barato. O modelo da Ford valia algo entre US$ 500,00 a US$ 900,00, sendo que o modelo mais caro do T era mais da metade do preço de um carro da Case.

Os automóveis eram caros porque a Case ainda os fabricavam de maneira artesanal, não adotando o método da linha de montagem, que baratearia muito seu custo de produção. Assim a Case não conseguiria oferecer seus automóveis para seu público de costume.
A companhia mudou o foco para conquistar o público de classes mais altas, porém nunca conseguiu chegar ao nível das mais luxuosas montadoras dos Estados Unidos e Europa. Como não conseguiram se sobressair no ramo automotivo, a Case decide encerrar sua divisão de automóveis em 1927.
Em quase dezessete anos de produção, a empresa fez aproximadamente vinte e sete mil unidades. Esse número pode parecer muito, mas fabricantes populares como a Ford conseguiam essa produção em poucos dias. Talvez se tivessem adotado a produção em linha de montagem, a história poderia ser diferente.
Como a produção era artesanal, cada carro da Case possui uma particularidade que o tornava único, apesar da semelhança em sua base mecânica. Por esse fator, é difícil de encontrar dados sobre modelos e suas mecânicas que variavam entre motores com quatro ou seis cilindros.
Enquanto a Case atuava no ramo automotivo, a fabricante participou de muitas corridas para promover a marca e chegou até a competir na primeira edição das 500 Milhas de Indianapolis de 1911. Hoje em dia existem algumas centenas de sobreviventes que estão nas mãos de colecionadores e eles se ajudam mutuamente para preservar suas raridades.
