
Um dos carros mais potentes e incríveis já feitos no Brasil tem uma história cheia de mistérios e coisas pouco esclarecidas. O Emme Lotus 422T foi apresentado oficialmente em 1997, sendo um sedã quatro portas com design muito curioso baseado num carro conceito da Volvo chamado ECC de 1992.
A Emme era o nome fantasia da empresa Megastar Veículos Ltda com sede em Pindamonhangaba, São Paulo, cujas atividades se iniciaram no início dos anos 90. A Megastar era subsidiária da New Concept AG uma empresa com sede no pequeno principado de Liechtenstein, situado dentre a Áustria e a Suíça.
Além do carro, a companhia comercializava a moto scooter Mirage com motor monocilindro dois tempos arrefecido a ar e potência de 6 cv a 7000 rpm, além do torque de 0,5 kgfm a 6500 rpm. A Mirage tinha partida elétrica e a pedal, além de ter freio a disco na roda dianteira.

Voltando ao 422T, o modelo testado nas rodovias do estado de São Paulo tinha algo que chamava a atenção: o logo da Lotus, famosa companhia inglesa de carros esportivos com uma grande história de vitórias e títulos na Fórmula 1, sendo um deles conquistado por Emerson Fittipaldi.
O que chamava a atenção no 422T, além da estética exótica, era a tecnologia construtiva patenteada pela Emme batizada de VeXtrim – uma estrutura tubular coberta em plástico injetado que prometia ser mais leve e barato do que o aço e ainda era 100% reciclável.
Mas a maior atração do sedã era sua mecânica da Lotus, sendo o mesmo que equipou o esportivo Esprit: um quatro cilindros em linha de 2.2 litros, 16 válvulas e turbo intercooler com potência de 264 cv a 6500 rpm e torque de 36,1 kgfm a 3900 rpm, sendo o nacional mais potente de sua época (e ainda hoje está entre os mais potentes).

O câmbio manual de cinco marchas era o Tremec T5, o mesmo do Ford Mustang na época, e sua tração traseira com diferencial autoblocante era o mesmo usado pela Jaguar. O interior era luxuoso com bancos em couro e o revestimento do painel e portas podiam ser em nogueira ou fibra de carbono.
Outros itens que chamavam a atenção era o sistema de auto esterçamento das rodas traseiras em curvas, como no Mitsubishi 3000GT VR4, e prometia ser o sedã mais rápido, não somente do Brasil como também em nível mundial! Os dados de fábrica eram impressionantes: 0 a 100 em 5 segundos e 273 km/h de velocidade máxima!
A Emme chegou a levar um exemplar do 422T em Mônaco no famoso desfile de supercarros anterior ao Grande Prêmio de Fórmula 1. Em 1998, a companhia passou a aceitar encomendas que só tinha uma única autorizada em São Paulo, capital.
Do mesmo jeito que apareceu, também sumiu…
Mas em 1999 ocorreu a crise do dólar, onde o real se desvalorizou e os motores importados da Inglaterra ficaram com preços proibitivos, assim a Emme encerrou as atividades no mesmo e deixou os poucos proprietários dos carros e scooters na mão.
Apesar do carro ostentar o logo da Lotus, a fabricante britânica não teve nenhuma participação no projeto, sendo somente uma fornecedora de motores. Muitos rumores surgiram acerca desse fornecimento, chegando a especular que eram sobras vendidas a peso de sucata industrial, já que o Esprit fora descontinuado em 1996.

As metas da Megastar eram de atingir a produção diária de 50 automóveis em um prazo de dois anos e exportar 60% da produção para os países do Mercosul, América do Norte e Europa, mas sem estrutura adequada e a crise do dólar de 1999 resultou em apenas 15 unidades fabricadas.
Com isso o Emme Lotus 422T é muito raro, onde todos os exemplares sobreviventes estão nas mãos de colecionadores e entusiastas. Com certeza, o curioso sedan será um valioso item de coleção no futuro, apesar da curta vida da companhia.