
Claudio Zampolli foi um engenheiro mecânico italiano, sendo ex funcionário da Lamborghini que trabalhou no setor de desenvolvimento e teste da empresa italiana. Depois que saiu do emprego, se mudou para os Estados Unidos e abriu uma oficina de super carros.
Logo Zampolli se tornou num representante autorizado da Ferrari no estado da California, que entre seus clientes tinham muitas figuras famosas como Eddie Van Halen e Sammy Hagar. De acordo com Hagar, Zampolli deu o seu número de telefone ao Eddie, que ligou para ele de lá da oficina. Hagar acabou se tornando no novo vocalista do Van Halen e permaneceu no posto até a metade dos anos 90.
Claudio Zampolli tinha uma boa clientela e ganhava muito bem, mas ainda sim quis colocar em prática um ambicioso projeto de vida: construir o seu próprio automóvel. Porém, só sua fortuna não bastava e precisava de mais capital que foi obtido com outro cliente famoso: o compositor e produtor musical italiano Giorgio Moroder.

Moroder ganhou fama nos anos 80 compondo trilhas para filmes, que hoje são clássicos, como Flashdance e Scarface (ambos de 1983) além de ter conquistado um Oscar de melhor trilha sonora para o filme O Expresso da Meia Noite (1978). Moroder conhecia Zampolli por fazer as manutenções de seu Lamborghini Countach na oficina.
Após os italianos se tornarem sócios, onde cada um ficou com 50%, começaram a grande aventura automobilística com a empresa Cizeta, sendo que o nome é a pronúncia italiana das iniciais de Claudio Zampolli (C – ci e Z – zeta).
Zampolli conhecia muitos ex-funcionários da Lamborghini, onde trabalhou nos anos 70, e formou uma boa equipe que passaram a desenvolver a base mecânica, enquanto isso o design da carroceria ficaria a cargo do renomado Marcello Gandini, responsável por modelos como o Lamborghini Countach.

Nos anos 80, Gandini foi requisitado pela Lamborghini, que na época era integrante da Chrysler, para desenvolver um novo automóvel que no futuro ficaria conhecido por Diablo. O design original não agradou muito aos executivos da Chrysler que exigiram diversas mudanças até o modelo final.
No entanto, Zampolli curtiu o desenho inicial de Gandini e acabou ficando com o projeto, já que o desenho final da Lamborghini ficou tão diferente, que não haveria problemas judiciais se usasse o desenho original.
Mecânica exótica e Giorgio Moroder
Como mecânica, a empresa decidiu desenvolver uma configuração exótica e incomum para se diferenciar da concorrência: um V16 montado na transversal, porém seu câmbio ZF S5-420 continuava na longitudinal e conectado ao centro do motor.
O motor foi baseado no projeto do V8 transversal na central traseira do Lamborghini Urraco. Assim o V16 da Cizeta seria como se fossem dois V8’s emendados. Com volume total de 6.0 litros, tinha virabrequim flatplane e duplo comando no cabeçote com quatro válvulas por cilindro, dando um total de 64!

Para facilitar a manutenção, o motor tinha quatro tampas de cabeçote, oito comandos de válvulas e muitas peças intercambiáveis com o motor do Urraco. A potência era de 540 cv a 8000 rpm e torque de 55,1 kgfm a 6000 rpm o que era muito alta para a época, sendo que ele tinha aspiração natural, não usando nenhuma superalimentação.
O automóvel usou outros produtos de alta qualidade como amortecedores Koni, freios com pinças da Brembo e rodas OZ Racing de alumínio calçados com pneus Pirelli P-Zero de 17 polegadas, sendo que os traseiros eram bem largos com 335/35R17.
Os faróis dianteiros eram escamoteáveis, mas tinham dois conjuntos que lhe conferia um visual único com quatro faróis abertos e as lanternas traseiras vieram do esportivo Renault Alpine GTA. O carro todo pesava pouco mais de 1700 kg e prometia chegar aos 100 km/h em apenas 4 segundos e chegar a 328 km/h de velocidade máxima.
O carro foi apresentado em 1988 e se chamava Moroder, sendo uma homenagem ao compositor e sócio do projeto que acabou ficando com o protótipo. No entanto muitos problemas aconteceram e o lançamento foi sendo adiado que fez Giorgio Moroder sair da sociedade em 1990.
Infelizmente, o sucesso não veio…
Como a mão de obra do automóvel era toda italiana, o carro seria fabricado na Itália na cidade de Modena e seu lançamento ocorreu em 1991 com o nome de V16T (motor V16 e T de transversal). Porém o carro já não tinha um desempenho tão a frente da concorrência, já que fabricantes como Porsche, Ferrari, Lamborghini e Jaguar tinham lançados automóveis com desempenho parecido.
Outros fatores que pesavam era a Cizeta ser uma marca nova e sem tradição, além de ser exageradamente caro para a época (US$ 650 mil) e nessa época boa parte do mundo estava em recessão econômica e ainda teve o que seria o maior problema de todos: o V16T não conseguiu aprovação para rodar nos Estados Unidos que seria o maior mercado para esse tipo de automóvel…

Com isso, somente doze unidades foram feitas até 1995 (incluindo o protótipo). Na mesma época, a fábrica se muda para Los Angeles (California) onde mais três carros foram feitos, incluindo o único exemplar conversível batizado de Fenice TTJ Spider que foi encomendado por um rico empresário japonês.
Após o fracasso de sua investida, Zampolli continuou com sua oficina de carros de luxo e passou a prestar assistência técnica a todos os carros feitos pela Cizeta. Apesar de Giorgio Moroder ter saído da sociedade antes de fabricarem o modelo final, o nome Moroder pegou que até hoje é chamado assim. Giorgio manteve seu exemplar por muitos anos até ser leiloado em 2022, porém o valor da venda não foi divulgado.
No dia 07 de julho de 2021, faleceu Claudio Zampolli aos 82 anos e Sammy Hagar postou uma homenagem em suas redes sociais já que foi ele quem lhe garantiu o emprego no Van Halen e arranjou seu primeiro Ferrari: um 512 Boxer, sendo que até hoje é um grande cliente da empresa. Zampolli até fez uma participação no videoclipe I Can’t Drive 55 de Sammy Hagar.