
Os famosos e simpáticos personagens da Looney Tunes, Papa Léguas e Willie E. Coyote foram criados pelo cartunista Chuck Jones em 1949. O sucesso foi tanto que logo ganharam uma série e milhões de fãs no mundo todo. Nos anos 60 foi criado para a TV chamado The Road Runner Show que também fez muito sucesso.
O desenho mostra a eterna caça de um coiote marrom, magrelo e orelhudo a um enorme e extremamente veloz pápa léguas azul dotado de uma enorme cauda e topete. A caçada se passa num deserto do oeste norte americano, habitat natural dos dois animais na vida real.

O Coyote é um faminto e genial inventor que bola mil planos e armadilhas para pegar a ave veloz, mas mesmo tendo a física e até a lógica contra ele, o bicho é persistente e nunca desiste. Já o Papa Léguas desenvolve velocidades tão assombrosas que chega a arrancar postes do lugar e até levantar a rodovia por onde passa!
Aproveitando a fama do desenho e da hiper velocidade da ave, a Plymouth decidiu usar o Papa Léguas num novo muscle car potente e barato para atrair o público jovem. Para usar o nome, a Plymouth pagou 50 mil dólares (em valores da época) para a Warner Bros.
Dos desenhos animados para as ruas!
O primeiro Road Runner (o nome original do Papa Léguas) surgiu em 1968, sendo um Plymouth Satellite com visual jovial e esportivo além de decorações da simpática ave por todo o carro, inclusive até criaram uma buzina com som que imita o beep beep do personagem.
Para os padrões norte americanos, é considerado um ‘carro médio’, mas na verdade é bem grande com 5,15 metros de comprimento. Na versão com o câmbio na coluna de direção, tinha banco dianteiro inteiriço podendo levar seis passageiros tranquilamente.

Para fazer jus ao visual e a imagem do Papa Léguas o carro vinha somente com motores V8, sendo que o menor deles ainda botava muito respeito: um big block de 6.3 litros (383 pol³) e potência bruta de 335 cv a 5200 rpm, além do torque de 58,8 kgfm a 3400 rpm.
O carro podia vir inclusive com o opcional 426 Hemi – um motor de 7.0 litros dotado de câmaras hemisféricas e potência de 426 cv a 5000 rpm e torque de 67,7 kgfm a 4000 rpm. O carro tinha duas opções de câmbio: manual com quatro marchas ou automático de três.
Para 1969 o carro teve pequenas modificações estéticas, incluindo o farol traseiro com novo desenho. Para 1970 a grade dianteira foi modificada, mas a maior novidade era a versão Superbird lançado no mesmo ano, sendo uma versão de homologação para competir na Nascar.
Dos desenhos animados para as pistas!
O Plymouth Superbird era um Road Runner modificado com um imenso aerofólio traseiro e a frente bicuda com faróis escamoteáveis que o deixou com 5,61 m de comprimento. O motor de série era o 440 Magnum – um big block de 7.2 litros de 375 cv a 5000 rpm e torque de 66,4 kgfm a 3200 rpm.

O carro ainda tinha opção da versão Six Pack com três carburadores de corpo duplo e potência de 390 cv a 4700 rpm e 67,7 kgfm a 3200 rpm, exatamente o mesmo torque do motor Hemi que também era oferecido como opcional.
O Superbird era muito veloz e podia passar dos 300 km/h nas corridas! Apesar do sucesso, o modelo foi só fabricado no ano de 1970, já que para 1971 a Nascar baniu os carros aerodinâmicos como o Superbird. Mesmo assim, em 1971 o Road Runner conseguiu ser campeão da categoria nas mãos de Richard Petty.

Nos modelos de rua, a primeira grande modificação veio em 1971 quando o carro passou a ter design bem agressivo, sendo que 1972 foi o último da opção do motor hemisférico. Os modelos dos anos 70 passaram a ter opções de motores V8 de bloco pequeno como o 318 e 340.
Em 1973 aconteceu a crise do petróleo e a potência do Road Runner foi ficando cada vez menor, mas a aparência esportiva e os motores V8 nunca o abandonaram. Com o decorrer da década a linha recebeu opções 6 cilindros em linha (Slant Six), mas os motores V8 continuavam no catálogo e o último Road Runner foi feito em 1980.
Apesar de terem sido comercializados como muscle cars baratos, atualmente os Road Runners são altamente aclamados e são muito valiosos, sendo que o Superbird é o mais caro de todos, onde um exemplar pode passar fácil de 1 milhão de dólares!
