
Auto Union foi um grupo alemão fundado em 1932, composto por quatro fabricantes de automóveis: Horch, Wanderer, DKW e Audi. As empresas eram independentes no desenvolvimento de automóveis, sendo que a marca Auto Union só era usada em competições.
Mas antes de conhecermos os insanos carros de corrida da corporação, vamos conhecer as integrantes da Auto Union: A Horch foi fundada em 1904 por August Horch e era a fabricante dos modelos mais luxuosos do grupo, que podiam até vir equipados com motor V12 dependendo do modelo.
A Audi surgiu em 1909 e também foi fundada por Horch depois dele ter saído de sua própria companhia. O nome foi sugerido pelo filho de August que significa ‘ouvir’ em latim, pois a palavra ‘horch’ tem o mesmo significado em alemão.

A Wanderer foi fundada em 1896 por Johann Baptist Winklhofer e Richard Adolf Jaenicke. Os carros da empresa eram famosos por terem visuais que lembravam os modelos norte americanos como o W25. No nível de luxo, essa empresa só ficava abaixo da Horch e também fabricou motos e bicicletas.
DKW era sigla para Dampf-Kraft Wagen ou ‘Carro com Motor à Vapor’ e foi fundada em 1916 pelo engenheiro dinamarquês Jørgen Skafte Rasmussen. Nos anos 20, a empresa passou a fabricar automóveis que eram os modelos mais baratos da Auto Union e ao final da década se tornou na maior fabricante de motocicletas do mundo.
Os carros de corrida da Auto Union
Com a união, a corporação ficou poderosa e logo passou a mostrar todo seu poder tecnológico nas pistas. Os automóveis da Auto Union eram feitos na fábrica da Horch em Zschopau e a maioria dos projetos foram desenvolvidos pelo engenheiro Ferdinand Porsche.
A Auto Union desenvolveu carros com uma solução inusitada para a época: a mecânica posicionada na central traseira. O objetivo era competir nas provas de Grand Prix, a categoria de elite dos esportes a motor que precedeu a Fórmula 1, que graças a adoção de motores muito potentes, os carros da companhia eram muito velozes!

O primeiro carro, lançado em 1934, foi o Typ A que vinha com um imenso motor de 16 cilindros em V, 4.4 litros, supercharger e câmbio manual de cinco marchas que desenvolvia 295 cv a 4500 rpm e 54 kgfm a 2700 rpm, fazendo o carro alcançar 280 km/h de velocidade máxima.
Para o ano seguinte, a Auto Union decidiu melhorar o projeto que batizaram de Typ B, cujo motor teve seu volume aumentado para 5.0 litros e a potência subiu para 375 cv a 4800 rpm. O torque foi para 67,3 kgfm a 2700 rpm e sua velocidade máxima aumentou significativamente para 300 km/h e fez muito sucesso nas pistas.

Para 1936 foi lançado o Typ C, sendo o carro mais insano de todos, onde o motor V16 teve o volume aumentado para 6.0 litros e vinha com dois superchargers. A potência subiu para 621 cv a 5000 rpm e 89,9 kgfm a 2500 rpm fazendo o carro de 824 kg chegar aos 340 km/h de velocidade máxima. Se esses dados impressionam até hoje, imagine isso há 90 anos atrás!
O carro tinha tanto torque que usavam rodado duplo na traseira para conseguir tração, já que não existiam pneus largos o suficiente na época. Para o carro, Ferdinand Porsche desenvolveu o diferencial com deslizamento limitado para resolver o problema de tração nas saídas de curva.
Porém houve mudanças nas regras das corridas e em 1938 a Auto Union teve de fazer grandes mudanças na mecânica, surgindo o Typ D. Agora o motor era um V12 de 3.0 litros equipado com dois superchargers que desenvolvia 478 cv a 7000 rpm (rotação muito alta para a época) e torque de 56,1 kgfm a 4000 rpm. Como o V12 era mais leve, o carro conseguia alcançar os mesmos 340 km/h do Typ C.

Pilotos destemidos como Tazio Nuvolari, Achille Varzi e Bernd Rosemeyer arriscaram suas vidas pilotando essas máquinas brutais sem nenhuma assistência ou segurança, onde só usavam óculos e uma tala de couro na cabeça como proteção. Os circuitos, tanto fechados quanto os de rua, também não tinham estrutura de segurança.
A Auto Union ainda fez a versão aerodinâmica Typ C Stromlinie, que usava o mesmo motor do Typ C comum com velocidade máxima estimada em 400 km/h! O intuito era bater o recorde de carro mais veloz do mundo em rodovia, onde correriam na recém inaugurada Autobahn.
Porém, no dia da corrida em 28 de janeiro de 1938, o piloto alemão Bernd Rosemeyer sofreu um acidente fatal com o automóvel quando estava a mais de 300 km/h e a empresa cancelou novas tentativas. Porém se iniciou a Segunda Guerra Mundial e as corridas de automóveis foram paralisadas.
O desfecho das empresas do grupo Auto Union
Depois que a guerra acabou, o grupo se reformulou para se adaptar aos novos tempos. A fábrica da Wanderer foi destruída nos ataques aéreos e sua produção de automóveis nunca foi retomada. No entanto, a divisão de bicicletas existe até hoje e a proprietária é a ZEG (Zweirad-Einkaufs-Genossenschaft ou Cooperativa de Compra de Veículos de Duas Rodas em alemão).
Quando a Alemanha foi dividida em 1949, a cidade de Zwichau que era sede da Horch ficou no lado oriental e com isso a empresa se transferiu para Ingolstadt. No lado oriental, a fábrica continuou suas atividades sob a marca Sachsering. Em 1959 a marca Horch deixou de ser usada.

Após a guerra, a DKW continuou no ramo das motocicletas e automóveis. Os carros ficaram famosos por seus motores com ciclo dois tempos que foi encerrada na segunda metade dos anos 60, enquanto que a de motocicletas terminou na metade dos anos 70.
A marca Audi tinha sido desativada depois da Segunda Guerra, porém em 1965 ela foi reativada para ser uma marca de luxo, cujos primeiros projetos eram ainda de origem DKW. Nessa época a Volkswagen adquiriu a Auto Union e fez a Audi ser a sua divisão luxuosa.
A Auto Union foi desativada de fato em 1969 e a Audi adotou o logo das quatro argolas como forma de lembrar de seu glorioso passado, sendo que todos os carros de corrida da Auto Union são preservados em seu museu. Isso sem mencionar que a Audi até recriou modelos perdidos ou que não saíram da fase de projeto da Auto Union.
