
Jan de Rooy (1943-2024) foi um empresário holandês que fez fortuna no ramo de transportes, mas também era piloto de rally e entusiasta de caminhões. Até o final dos anos 70, de Rooy competia com automóveis, porém nos anos 80 decidiu disputar o famoso Rally Paris-Dakar na categoria caminhões.
A princípio ele correu com um DAF NTT 2800 preparado. O caminhão tinha projeto de origem norte americana, já que a International Harvester havia comprado parte das ações da empresa holandesa nos anos 70. Na verdade, o DAF NTT 2800 era um Paystar 5000 reestilizado.
Nos anos 80, o Rally Paris-Dakar não tinha regras impondo limites aos veículos, dessa forma de Rooy usou a imaginação e em 1984 criou o curioso Tweekoppig Monster (Monstro de Duas Cabeças em holandês) que consistia num DAF 3300 com duas frentes e duas mecânicas, dando potência combinada de 800 cv.

A intenção era de poder usar uma frente caso a outra fosse avariada em algum acidente, mas seus planos não deram certo já que o caminhão quebrou o rolamento de uma das rodas e não pôde prosseguir na prova. Mas a ideia de duas mecânicas foi promissora, já que o Tweekoppig Monster assumiu a liderança da corrida em sua categoria enquanto não sofreu a avaria.
Em 1985, a DAF entrou oficialmente nas competições e ajudou Jan de Rooy a desenvolver um novo caminhão: o Turbo Twin. Dessa vez o 3300 tinha só uma frente para assim melhorar a aerodinâmica e teve toda a estrutura desenvolvida pensada nas competições.
O caminhão continuou tendo dois motores e a potência chegou aos1000 cv, o que era capaz de fazer o veículo alcançar 200 km/h de velocidade máxima! O Turbo Twin só ficou pronto para o Paris-Dakar de 1986, onde continuou chamando a atenção pelo desempenho fabuloso, porém o eixo quebrou e de Rooy abandonou a corrida.
A Vitória e a ambição de ser primeiro na geral!
Para 1987, a DAF desenvolveu um caminhão ainda mais bestial: o Turbo Twin II com 1100 cv e 400 kgfm de torque! A mecânica usava cinco turbocompressores, sendo dois em cada motor e um outro que ajudava os dois motores.
O Turbo Twin II não apresentou problemas e, finalmente, de Rooy ganhou a prova com uma grande folga sobre o segundo colocado com, aproximadamente, 4 horas de vantagem! O caminhão era tão rápido, que em algumas etapas conseguiu chegar à frente de automóveis e na geral ficou em 11º lugar.
Com o excelente resultado, de Rooy e sua equipe tinham um plano ainda mais ambicioso: chegar em primeiro lugar na geral, ou seja: ser primeiro lugar absoluto, chegando na frente de todos os veículos do Paris Dakar! Para 1988, a DAF planejou fazer um novo caminhão.
O novo Turbo Twin usava a nova cabine do Série 95, que havia estreado no ano anterior. O motores continuavam sendo os mesmos dos anos anteriores: um 6 cilindros em linha de 11.6 litros, mas agora cada um contava com três, sendo que dois deles tinham geometria variável para minimizar ao máximo o efeito lag, assim o caminhão tinha 1200 cv e 480 kgfm de torque no total!

Com o conjunto mecânicos, o novo caminhão era capaz de chegar aos 100 por hora em 8 segundos e passava dos 220 km/h de velocidade máxima, sendo dados impressionantes para um veículo com quase 10 toneladas. A DAF inscreveu dois caminhões: O 95 X1 pilotado por Jan de Rooy e 95 X2 pelo compatriota Theo Van de Rijt.
Ao início do rally, os caminhões mostraram que realmente tinham desempenho de cair o queixo, largando toda a concorrência para trás e corria em igualdade com os automóveis, sendo que de Rooy correr lado a lado até ultrapassar o campeão da WRC e do Paris-Dakar Ari Vatanen em seu moderno Peugeot 405 T-16!
O famoso carro da Peugeot venceu muitas provas e quebrou recordes, sendo considerado o favorito para a vitória naquele ano, porém o imenso DAF 95 modificado andava páreo à páreo, passando na frente algumas vezes. De Rooy não era somente o líder na categoria caminhões, como também já estava em terceiro lugar na geral!
A tragédia e o fim de um sonho…
Mas infelizmente ocorreu uma tragédia: quando estavam no deserto do Níger, o caminhão X2 de Van de Rijt saltou uma duna a 190 km/h por hora e, na queda a suspensão do veículo quebrou, fazendo o caminhão capotar diversas vezes. Com o capotamento, o navegador Kees Van Loevezijn foi arremessado para fora e faleceu no local.
Theo Van de Rijt e seu mecânico, o escocês Chris Ross, ficaram gravemente feridos, mas sobreviveram. Por causa da tragédia, Jan de Rooy se retirou da prova imediatamente, deixando a competição livre para o Tatra T815 de Karel Loprais vencer a corrida.

Com o fato, a DAF se retirou das competições, vendendo toda sua estrutura para de Rooy. A organização do Paris-Dakar decidiu que só podiam disputar caminhões com o mesmo motor da versão de rua (mas permitindo preparar para as corridas), sendo que em 1989 não ocorreu a competição na categoria caminhões, só voltanto em 1990.
Alguns anos depois, a organização impôs limite de velocidade máxima dos caminhões em 160 km/h. De Rooy continuou participando dos rallys, mas só voltou a pilotar dez anos depois. Seu filho Gerard se tornou num notório piloto de caminhão de rally, sendo campeão em duas edições: 2012 e 2016, todos com caminhões Iveco. Já a DAF nunca mais disputou provas oficialmente após a edição de 1988.
