
No início do século 20 o automobilismo estava em seus primórdios e as corridas, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, atraíam muita gente para assistir, onde homens montados em máquinas motorizadas arriscavam suas vidas para ver quem chegava na frente.
Apesar dos automóveis serem caros na época, o evento alcançava as massas porque as ruas e estradas eram locais apropriados para demonstrar suas qualidades. Logo surgiu uma ideia que se tornaria em um empreendimento lucrativo: locais fechados exclusivos para disputa de corridas e assim nasceram os autódromos.
Assim como os famosos hipódromos onde jóqueis em seus cavalos disputam corridas, muita gente estava disposta a apostar em um competidor e receber uma boa soma em dinheiro. Isso sem mencionar o público que comprava ingressos para assistir ao evento.
O idealizador Frederick Moskovics
Frederick Moskovics (1878-1967) era um engenheiro mecânico húngaro que tinha trabalhado em empresas importantes como as alemãs Daimler e Maybach. No início do século 20, Moskovics se mudou para os Estados Unidos e em pouco tempo já ocupava um alto cargo na fabricante de automóveis Stutz.
Moskovics gostava das corridas de bicicletas, incluindo o ciclismo olímpico – uma modalidade onde ciclistas correm num circuito oval recoberto de tábuas e ele decidiu construir uma pista em Los Angeles, no estado da California. Mas logo soube que em Indianapolis estava construindo um autódromo oval e daí veio a ideia:
Por que não disputar corridas de automóveis na pista de ciclismo olímpico? Moskovics reuniu um grupo de investidores do ramo automotivo para promover as competições e a pista foi batizada de Los Angeles Motordrome que não era oval, mas sim um círculo perfeito e sem retas.

O traçado tinha uma milha de extensão (1,609 km), 23 metros de largura e inclinação da pista bem alta com 45 graus (só pra ter uma ideia, o autódromo de Daytona tem 31 graus e Indianapolis 11 graus), onde a parte mais alta da ficava a 7,6 metros de altura em relação ao solo.
A primeira corrida foi realizada em 1910, onde reuniu os principais pilotos de motos e automóveis da época. O evento foi amplamente divulgado por todo o país e foi um grande sucesso de público! No entanto, o Los Angeles Motordrome não durou muito tempo, pois um incêndio em 1913 destruiu boa parte da pista e Moskovics optou por não reconstruir o traçado, porém o ‘vírus’ da competição nesse tipo de pista se espalhou pelos Estados Unidos!
Os riscos das competições!
As corridas conhecidas por Board Track Racing atraíam um grande público, sendo que uma prova em Chicago chegou a reunir mais de 80 mil pagantes. Tinha pistas cujas inclinações das curvas poderiam chegar aos 60 graus. O autódromo de Beverly Hills, com pouco mais de 2 km de extensão, foi projetado com curvas tão suaves que nem precisava esterçar o carro, sendo que a própria inclinação da pista o deixava dentro da trajetória.
Porém a busca por pistas que desenvolviam maiores velocidades, além de carros cada vez mais velozes era a receita para o desastre e assim muitos acidentes fatais ocorreram nas pistas de tábuas, inclusive Gastón Chevrolet (1892-1920), irmão de Louis que fundou a famosa fábrica de automóveis.
Os carros e pilotos eram totalmente desprovidos de itens de segurança, onde a única proteção era uma viseira. Dentre os pilotos e mecânicos (que naquela época corriam como co-pilotos) haviam relatos de ferimentos ocasionados por lascas e farpas de madeira que acertavam o rosto e os braços.

Boa parte das vezes que ocorriam acidentes, os ocupantes eram arremessados de seus carros há vários metros de distância, ou ainda cair de grandes alturas se saísse da pista pela parte externa. Também podia acontecer dos carros desalinharem ou arrancarem tábuas da pista no decorrer da prova.
Isso ocorria por causa dos pneus da época, onde boa parte eram em borracha maciça que tornava o rolamento mais pesado do que os com câmara. Mesmo com buracos na pista a prova não parava e os pilotos tinham de desviar ao mesmo tempo em que disputavam posições.
Também havia falta de segurança para os espectadores que ficavam próximos às margens das pistas e muitas fatalidades envolvendo a plateia foram registrados. As corridas de motocicletas ocorreram por pouco tempo já que os próprios pilotos e equipes se assustaram com a falta de segurança e optaram em correr em pistas de terra.

Outro problema dessas pistas era o alto custo de manutenção, pois após um final de semana de competições elas tinham de ser reparadas e, por vezes era necessário trocar todo o madeiramento do traçado. A vida útil da madeira desses autódromos eram cinco anos em média (na época não existia verniz para prolongar a vida útil). Por vezes, os carpinteiros reparavam a estrutura da pista enquanto a prova ainda estava em andamento.
Nos anos 20, alguns carros ficaram muito velozes e ocorria outro problema: algumas corridas eram previsíveis e quase sempre o mais rápido vencia sem interferência de adversários, fazendo as competições perderem a graça a ponto de afetar as vendas de ingressos.
Nessa época as corridas na terra (dirt tracks), faziam muito sucesso e após a crise econômica de 1929, aliado a grande depressão dos anos 30, fez muitos empreendedores desmontarem suas pistas por conta do alto custo de manutenção. O declínio dessas pistas foi muito rápido, sendo que a última prova aconteceu ao final dos anos 30.